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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

O último rinoceronte branco macho do planeta

Um retrato da solidão. Você está olhando para o último rinoceronte branco macho do planeta.



Aos 42 anos o Rinoceronte Sudan não consegue sequer dar uma volta no parque sem ter em sua cola a companhia de três guarda-costas armados fortemente armados. Saiba mais sobre essa triste história. 

Os soldados o vigiam 24 horas por dia e ainda estão equipados com escopetas e rifles semi-automáticos, GPS, óculos de visão noturna e roupas camufladas, um verdadeiro arsenal de guerra!

O último Rinoceronte Branco do Norte vive na reserva de Ol Pejeta Conservancy, área de proteção do Quênia, em companhia de duas fêmeas da mesma espécie, também protegidas por homens armados [além delas só existem mais duas fêmeas dessa espécie e ambas estão em zoológicos].


Os seguranças têm como missão garantir que Sudan não seja morto por caçadores em busca de seu chifre, que é vendido em países como o Vietnã por até U$ 100.000,00 o quilo, o que o torna uma mercadoria mais valiosa e atrativa do que o ouro. Se eles falharem nessa missão o rinoceronte-branco do norte entrará na infame lista dos animais extintos.


Na foto: Crueldade - Ranger segura cifre de rinoceronte, que pode pesar até 4 kg. O chifre é feito de queratina, a mesma proteína encontrada na unha e no cabelo dos seres humanos e é vendido por até 100 mil dólares o quilo no Vietnã.
O rinoceronte é o maior mamífero terrestre, depois dos elefantes. Medem 2 metros de altura, 5 metros de comprimento e pesam 4 toneladas. Possuem dois chifres, dos quais o anterior mede até 1,50 m de comprimento.

Na natureza existem em torno de 8.500 exemplares de Ceratotherium simum simun, ou rinoceronte-branco do sul, já a subespécie Ceratotherium simum cottoni, o rinoceronte-branco do norte conta apenas um 3 espécimes, um macho e duas fêmeas na natureza.


Distribuição original dos Rinocerontes na África. Em verde: Rinoceronte Branco do Sul, e em Laranja: Rinoceronte Branco do Norte.
Em 2013 essa espécie foi extinta em Moçambique depois dos últimos 15 animais terem sido mortos no parque fronteiriço do Grande Limpopo. E para que não aconteça o mesmo no Quênia esses animais tiveram de passar a ser vigiados 24 horas por dia, sete dias por semana

O motivo da quase extinção da espécie é a crença difundida em alguns países asiáticos de que o chifre do animal seja capaz de curar vários tipos de enfermidades, entre elas, o câncer. No entanto, não existem confirmações científicas que corroborem esta tese.



Vale lembrar que a queratina é o mesmo material produzido pela unha e cabelos do corpo humano, então, se isso realmente fosse verdade bastaria comê-los sem sacrificar os rinocerontes que se teria o mesmo efeito.

O problema é seríssimo e é valido para todas as espécies de rinocerontes. No início do Século 20 existiam 500 mil rinocerontes na África e na Ásia, e em 1970 esse número caiu para 29 mil, havendo expectativa de que o número de mortes ultrapasse a taxa de natalidade nos próximos anos, extinguindo em 2026 os rinocerontes caso esse ritmo de matança continue.



Para piorar, os caçadores conseguem encontrar os rinocerontes facilmente porque eles deixam rastros de fezes para demarcar o território. Quando entram em contato com o animal cortam impiedosamente o seu chifre, cortando muitas vezes os nervos ligado a mandíbula, que impedem o animal de se alimentar e, consequentemente, o mata.

E Sudan nem possui o chifre mais, mas o medo do fim da espécie leva a tentativas desesperadas de protegê-lo a todo custo, e não apenas Sudan, mas outras espécies de rinocerontes como o rinoceronte-negro, rinoceronte-das-índias, rinoceronte-de-sumatra e rinoceronte-de-java também correm risco constante. Já a espécie do Rinoceronte Branco do Norte conta apenas com seus últimos indivíduos.


Para tentar coibir a ação dos caçadores os países estão testando alternativas. O governo da África do Sul, por exemplo, contratou um ex-general para comandar as ações no Kruger, que incluem 400 rangers, 150 voluntários, dois helicópteros, aviões de pequeno porte e um contingente da política. Eles possuem uma estimativa de que até 40 caçadores estejam atuando no parque.

Além da força militar, outras táticas têm sido usadas para tentar coibir a ação dos criminosos. Uma delas é colocar veneno no chifre, que não prejudica o animal, mas pode ser mortal para quem ingerir. Outra, mais radical, e que já aconteceu com Sudan, é arrancar o chifre para desestimular a matança.


O problema tem apenas uma solução: acabar com a demanda! É preciso convencer os consumidores de que o chifre do rinoceronte não possui qualquer poder de cura. Isso foi feito com sucesso no passado com o marfim do chifre de elefante, que já foi popular entre os japoneses. Espera-se que o mesmo aconteça com relação aos rinocerontes.

Infelizmente para Sudan e suas fêmeas o destino está selado, um rinoceronte possui uma expectativa de vida de 40 a 50 anos, e como Sudan possui 42 anos é considerado muito velho para poder se reproduzir. As últimas esperanças dos responsáveis pelo santuário de Ol Pajeta repousavam sobre Suni, que ao morreu e causas naturais aos 34 anos. Por esse motivo, para a ciência, o rinoceronte-branco-do-norte já está classificado como espécie extinta.


A tenacidade e o carinho com que os guardas protegem Sudan têm um forte valor simbólico e testemunha para todos como a má conduta humana está ameaçando a biodiversidade do planeta.



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Boa sorte e até a próxima!

Nabire, um rinoceronte branco do norte que já faleceu.
Fontes Pesquisadas:


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7 comentários:

  1. Nossa Thiago, essa matéria é incrível, mas infelizmente a uma das notícias mais tristes para o reino animal. Infelizmente esses Rinocerontes estão fadados a extinção. Muito triste mas é a realidade.

    Abraços e parabéns pela postagem.

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    1. Pesquisando também achei que a reportagem ficou bem legal, os soldados com rifles protegendo o Rinoceronte ficou muito imponente, só é uma verdadeira pena isso da espécie estar praticamente condenada mesmo. É a ganância do ser humano mais uma vez prejudicando os animais e a natureza.

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  2. Parabéns pela matéria. Pena que o tema seja tão triste

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  3. Parabéns pela matéria. Pena que o tema seja tão triste

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    1. Obrigado. É uma pena que esteja acontecendo isso com esse animal, mas é bom termos noção de até onde a ganância do ser humano pode nos levar pra nos conscientizarmos.

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  4. parabéns aos seres ignóbeis que com sua ignorância e ganância extinguiram esse magnífico animal...MISERÁVEIS

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    1. E infelizmente esse só foi um dos extintos. Se continuar assim em um futuro breve não existirão mais rinocerontes na África. E por um motivo bem fútil ainda por cima!

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