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terça-feira, 27 de junho de 2017

Por dentro do Sudão, um país de conflitos [Parte 1]

Normalmente nós passeamos virtualmente para lugares com uma boa situação geopolítica e que estão preparados para receber novos visitantes. Dessa vez conheceremos um lugar diferente.


Esse é um país que teve sua história marcada por conflitos, fome, miséria e perseguições religiosas e ainda nos dias de hoje sua população luta para se garantir no dia-a-dia. Adentre agora no cotidiano de um dos países mais corruptos do mundo, o Sudão.


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 [PARTE 1] [PARTE 2]
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Esse post será dividido em duas partes. Na primeira explicaremos onde o país está situado e como anda a sua situação geopolítica e os porquês do Sudão estar numa situação tão ruim. Já na 2ª mostraremos uma reportagem do SBT Repórter que visitou o país e nos mostrou como ele é por dentro.

Conhecendo o Sudão

O Sudão é um país africano, limitado a norte pelo Egito, a leste pelo Mar Vermelho, por onde faz fronteira com a Arábia Saudita, pela Eritreia e pela Etiópia, a sul pelo Sudão do Sul e a oeste pela República Centro-Africana, Chade e Líbia. Possui cerca de 35,5 milhões de habitantes e ocupa uma área de 1.886.068 km².


O Rio Nilo divide o país em duas metades: a oriental e a ocidental. Sua religião predominante é o islamismo. Quase um quinto da população do Sudão vive abaixo da linha internacional de pobreza, vivendo com menos de U$ 1,25 por dia.

Até 2011, o Sudão era o maior país da África e do Mundo árabe, quando o Sudão do Sul se separou em um país independente, após um referendo sobre a independência. O Sudão é hoje o terceiro maior país da África [após a Argélia e a República Democrática do Congo] e também o terceiro maior país do mundo árabe [depois da Argélia e Arábia Saudita]


Grande parte da história do Sudão é marcada por conflitos étnicos, além de dois conflitos internos em andamento [um na região sul e outro na região de Darfur] e duas guerras civis, entre 1955 e 1972 e 1983 e 2005. 

Há inúmeros casos de limpeza étnica e escravidão no país. O Índice de Percepção da Corrupção indicou o Sudão como um dos países mais corruptos do mundo, quase sempre ficando nos últimos lugares desse ranking.


Em 2014 o país estava na vergonhosa posição 171, já em 2016 ficou na colocação 170 no índice de percepção da corrupção.
De acordo com o Índice Global da Fome, o Sudão tem um valor indicador GHI de 27.0, indicando que o país está em um "estado alarmante de situação de fome", fazendo desta a quinta nação mais faminta do mundo. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), de 0.414, o classifica como um dos mais baixos níveis de desenvolvimento humano no mundo.

Cartum, a Capital do Sudão



Cartum é a capital do Sudão e a segunda maior cidade do país, com população de quase 1,5 milhão de habitantes. A área metropolitana de Cartum, conhecida também como Grande Cartum, é uma metrópole dividida em 3 partes pelos 2 rios, com uma população total de mais de 4 milhões de pessoas. 

É constituída pela aglomeração urbana das cidades de Cartum, Cartum do Norte e Omdurman. As 3 aglomerações estão conectadas por pontes. Sua altitude média é de 379 metros acima do nível do mar. O Nilo Azul corre entre Cartum e Cartum do Norte, o Nilo Branco entre Cartum e Omdurman e o grande Nilo entre Cartum do Norte e Omdurman. 



A cidade abriga um porto fluvial situado na confluência do Nilo Azul com o Nilo Branco, na zona leste-central do país. No meio de transportes internacional, Cartum tem linhas de trem para Port Sudan, e também para o Egito. O tráfico pelos rios Nilo Azul e Branco também é muito importante.

A cidade possui três universidades: a Universidade de Cartum, a Universidade Nilayin e a Universidade Sudanesa de Ciência e Tecnologia. É uma das cidades mais quentes do mundo, apresentando um clima quente e desértico, onde chuvas ocorrem apenas nos meses de julho e agosto.

Mesquita de El Neelain, Cartum.
A temperatura pode ultrapassar os 53ºC em meados do verão. Sua temperatura média anual em 6 meses do ano é de 38ºC, mas durante a noite, as médias baixam pouco acima de 15°C. Cartum possui um imenso mercado aberto que se espalhada por vários quarteirões do centro e ao sul da Grande Mesquita. É dividida em seções separadas, incluindo uma focada inteiramente ao ouro. 

O Aeroporto Internacional de Cartum é o maior aeroporto no Sudão, localizado na margem sul da cidade, no coração da cidade. Um novo aeroporto internacional está sendo construído a cerca de 40 km ao sul da cidade.


Aeroporto Internacional de Cartum, Sudão.
Entendendo os Conflitos do país


Há séculos, minorias étnicas africanas foram obrigadas a conviver dentro das mesmas fronteiras graças ao desenho arbitrário das linhas imperialistas. Na primeira metade do século XX, o Sudão pertencia ao consórcio anglo-egípcio, até conseguir sua independência, em 1956. O nome do país deriva da expressão árabe Bilad-as-Sudan, que quer dizer "terra dos negros".

O Sudão viveu em guerra civil por quase meio século, o que causou cerca de dois milhões de mortes. O poder é exercido por muçulmanos de origem árabe, mediante a aplicação da rigorosa lei islâmica - a Sharia. Mas o regime tem enfrentado forte resistência.

O conflito entre o norte e o sul do Sudão, teve início quando o governo islâmico tentou impor o Xariá ou Sharia [lei religiosa do Islamismo] em todo o país, inclusive no sul, onde a maior parte da população é cristã. 


Darfur, Sudão.
No oeste, em Darfur, a disputa foi contra os negros muçulmanos que formavam a população local. A guerra, cujo apogeu foi em 2003 e 2004, causou cerca de 300 mil mortes e deixou 2,5 milhões de refugiados. Segundo a ONU, houve um verdadeiro genocídio provocado por milícias islâmicas contra os negros de Darfur, provocando uma das maiores crises humanitárias dos últimos tempos.

Um acordo de paz foi selado em 2006, mas os campos de refugiados ainda necessitavam de ajuda humanitária. Desde então, há dois países: o Sudão, essencialmente islâmico, e o Sudão do Sul, que ficou com 22,3% do antigo território (644.329 km²) e cerca de 25% da população (8.260.490 habitantes), constituído por diversos grupos de estrutura tribal.

No vídeo: Juba, capital do Sudão do Sul


Embora o novo país, cuja capital é Juba, tenha sido oficialmente reconhecido, persistem pendências com o vizinho do norte, sobretudo porque ali estão localizadas grandes reservas de petróleo.

Desde que começou a ser explorado, em 1999, o petróleo se tornou o principal produto de exportação do Sudão, respondendo por cerca de 98% das exportações do país. Mas a maior parte das reservas petrolíferas locais encontram-se no Sudão do Sul, onde a China vem fazendo grandes investimentos, na condição de parceira comercial do novo país.


Foto Aérea de Juba, Capital do Sudão do Sul.
Além dos interesses envolvendo a exploração do petróleo, duas outras questões precisam ser resolvidas entre os dois países: a da utilização da água da Bacia do Rio Nilo, vital para o Sudão e principalmente para o Egito, e a forma de repartir a enorme dívida externa do antigo país.

Se quiser se aprofundar mais na história do conflito do Sudão clique no botão abaixo:



E para fechar essa parte, assista ao vídeo abaixo, produzido pelo canal da própria ONU para entender melhor a situação das pessoas desse país.


Fontes Pesquisadas:

Não vá ainda, pois nossa aventura pelo Sudão começará agora...


Não deixe de clicar AQUI ou na imagem acima para ir a 2ª parte desse incrível documentário.

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